IDEIAS APAIXONANTES 02

| VIDEOBOOK |

… vou fundar uma editora
THE BOOKLET IS ON THE TABLET

aí, vi esse video…

nele li uma nova forma de leitura
| a new reading |
… uma maneira de ler
rapidinho
120 folhas em 1 minuto 

FRAME by FRAME
para ler, ponha em pausa
folha por folha
| click pause | page by page |
1 livro em 1 minuto 

teste com esse video
| fullscream, please |

… Ok? é uma revista, mas poderia ser um
< LIVRO>
| a mute video-audiobook |
… poderia ter legendas em inglês, francês
alemão, mandarin, italiano, latim, japonês
| translations | new software |

… e se cada um colocasse uma trilha?
| soundtrack out | soundtrack yours |

… não: sem legendas, sem som
mudo: a legenda será o som da voz
de outra pessoa, traduzindo
ao lado de quem está lendo
e não português
| layers outside the interface |

vou fazer isto com meus livros
para que sejam lidos on-line
na minha editora fantasia
| the booklet is on the tablet |

que tipo de leitor eu espero?
se for cego: tem quem leia
se for analfabeto, também
se for surdo, vê
se for mudo, vê também

será que a leitura, sem figura
funcionaria?
só texto, só texto, só texto…
| no photo | no illustration | text only |

conheço um monte de gente
que lê assim: só vendo
| eye scan reading |

só vendo, pra vender
esta idéia apaixonante…

só vendo!
compre!

IDÉIAS APAIXONANTES :: 01


o mercado da arte é foda

tenho tido idéias mirabolantes
a maioria perfeita
para ser posta numa lata de lixo
dividindo a cela
com uma minoria privilegiada
que poderá gerar grana
para pagar o lixeiro

estive pensando num balé mecânico
dançável num estacionamento
um pas-des-deux entre um caminhão e uma moto
ela, com duas rodas; ele, com 8 eixos
um caçando o outro em perpétuo movimento
até o combustível acabar

mas acho que vou pensar mais
criar uma obra de arte pós-moderna
100% autosustentável
com liquidez imediata

antes,
vendia livretos de poesia nos bares noturnos
andava do Leme ao Leblon e gastava tudo
gastava uma nota com mimeógrafo, tinta, papel
dava um trabalhão cortar, encapar, grampear
tinha uma ditadura no meio da rua
agora,
as possibilidades são muitas
as liberdades só falam de direitos
agora, para  tudo dá-se um jeito

vou escrever pequenos poeminhas
diretamente no papel de notas de baixo valor

com o melhoramento no emolumento
uma nota de 2 reais pode valer 100 dólares
e se o dono precisar de apenas 2 reais
no mínimo, ali, no poema, os terá de volta

poemas curtinhos
escritos no próprio dinheiro
cada nota, um livro inteiro
a coleção valerá uma fortuna

… e é só o começo do leilão:

senhoras e senhores
quanto me dão pelo pijama listrado em que Getúlio se suicidou?
quanto vale o cinto com o qual Herzog se enforcou?
…e uma das cápsulas originais de uma das balas
que o perdoado Ali Agka usou no Papa, na Praça de São Pedro?
quem vai levar esta preciosidade: uma mecha de cabelo real
daquela criança vietnamita que corria numa estrada
depois de um bombardeio de napalm?
mais tarde, teremos em oferta, partes da sucata do Opala em que JK morreu
e a luz do pisca-pisca do Porsche de james Dean
queimada, é claro…

agora, preparem-se!

chegou a hora da grande peça do leilão desta noite
quem vai dar o grande lance para uma obra de arte
100% pós-moderna

uma nota de 1 real 
com um poema original
escrito pelo próprio punho do poeta:

de que vale ganhar uma aposta
quando não se tem nada a perder?

100 mil! 120! 171?
200 para o cavalheiro ali atrás
500 mil?
eu ouvi um milhão?
claro que está autografada…

dou-lhe uma … dou-lhe duas … dou-lhe …três!
vendido para o advogado do novo rico chinês!


caraca!
… tenho tido muitas idéias assim!

preciso, urgentemente vendê-las
quem sabe se posso poder comprar

uma lata de lixo, nova…

O IMPÉRIO DA CARETICE

poema para jogral do grupo São Bartolomeu São Paulo
apresentado em 12/09/2011 

quando a hipocrisia age discretamente
ninguém escapa à sua armadilha fria

eu mesmo sucumbi à essa cólera
vi a minha vida escorrer pelo ralo
bebi o que me mataria pelo gargalo
e nunca mais fui o mesmo…

quando acabaram com a minha festa
não tiraram meus pés do chão
tiraram o chão sob meus pés

logo eu, que sempre amei os abismos
subitamente me vi caindo num buraco
sem fundo e sem perigo visível
só a vertigem da queda era sensível
mais nada!

onde a minha liberdade de poeta fazia festa
conheci as proibições mais banais
tolheram minha tolerância
e uma moral  sufocante
sufocou-me até o ar não mais existir
e respirar fosse algo doloroso e triste

tudo ficou extra conservador
hipercareta…
nas idéias, nos sentidos e no amor

um festival de não pode isso nem aquilo
espalhou-se por toda parte
a saúde apresentou-me suas credenciais
as pulsões perderam seu viço
o organismo entrou em colapso
tornei-me frágil e indeciso
atrapalhado e impreciso
namorar passou a ser um risco
repleto de condições atípicas
sob pena de transformar em crime
o que antes era alegre e divertido
as coisas mudaram de rumo
cai na minha própria cilada
 era casado
me apaixonei e inventei
uma nova namorada 

não havia mais o ato pacífico
voluntário e bonito
tudo neste paraíso passou a ser
extremamente crítico
lamentavelmente enfadonho
magoaram meu sonho
humilharam meu desejo
debocharam de meus poemas

quem eu amava virou a casaca
passei a ser vigiado de perto
cobravam-me pedágio por ser esperto
exigiram obediência aos regulamentos
regularam meu sofrimento
o sonho virou pesadêlo

quem desejei poema de uma arte linda
empinou nariz e virou-me as costas
determinando distâncias mínimas
proibiu-me acesso à sua intimidade
ordenou que eu esvaziasse minha saudade
tornou-se sádica, considerando-me masoquista
classificou-me de doente, viciado, perverso
sentiu nojo do meu delírio abstrato
impetrou mandato de segurança
exigiu-me desistência e respeito
ficou indiferente à minha melancolia
castigou-me pelo que eu não sabia
esfriou a paixão com neve de geleiras
rebaixou-me à condição de infeliz

conheci a tirania, perdi o jogo
fui esmagado como um tolo
os moralismos provincianos triunfaram
sobre prazeres aos quais ninguém renuncia

o cerco foi fechado sem alternativas
fiquei encurralado à revelia
tonto, magoado e sem saída
minhas razões foram sumariamente rejeitadas
aceitar interdições fortalecia a cilada
minha felicidade foi humilhada
tudo porque eu era casado
me apaixonei e inventei
uma nova namorada 

a responsabilidade sobre a situação era só minha
sob custódia da sociedade em que eu sobrevivia
ninguém tinha nada com isso
mas todo mundo palpitava
metiam o bedelho
me davam conselhos
a poesia perdia o fio da meada
a pressão era total e fragmentada
a violência era surda
a maldade era danada
só porque eu era casado
me apaixonei e inventei
uma nova namorada 

nenhuma mudança era permitida
de dentro pra fora, nenhuma ousadia
de fora pra dentro, ordens e antipatias
a vida era minha
mas estava sendo publicamente compartilhada
minhas vontades tinham limites estabelecidos
meus desejos tinham que ser controlados, subtraídos, sufocados
as leis não podiam ser discutidas e o destino não poderia ser mudado

todos os meus atos eram recriminados
os amigos tinham opiniões divididas
muitos se afastaram
todos tinham conselhos inadequados
a fofoca espalhava calúnias e mentiras
a verdade era recriminada
deus e o diabo negociavam intrigas
minha vida privada era devassada
é casado?!
não pode se apaixonar
nem ter uma nova namorada 

o incomodo chegou à minha família
muita gente acompanhava a novela
por telefone, e-mail e facebook
intimidade zero, privacidade zero
minha liberdade estava sendo multada
por transgredir regras datadas
o tédio impunha sua maldita isonomia
a guilhotina estava sendo afiada
a infância foi integralmente abolida
acabou-se o que era doce
não sobrou nada…
tudo porque eu era casado
me apaixonei e inventei
uma nova namorada 

tudo para que a carne ficasse salgada
a sexualidade foi posta no freezer
a geladeira foi trancada a sete chaves
a paixão deveria ser congelada
amor passou a ser um compromisso

suspenderam-se às concessões à poesia
a caretice obtinha seguras alianças
o pelotão de fuzilamento recrutava soldados
a ordem estava para ser dada
FOGO!

a solidão nunca fora tão frígida
nunca me senti tão mesquinho
tão inútil, tão babaca nem tão derrotado
tinha que resolver tudo sozinho
mantendo-me acompanhado e sem guia
o que sempre fora de minha alçada
corria o risco de ser isolado
banido para o infinito
incriminado por sofrimentos alheios
responsabilizado pela audácia de meus atos
sendo ofendido pelas costas
caluniado por cenas bizarras
cortado por uma faca cega
cuja lâmina estava bem afiada
eu era casado
não devia me apaixonar
nem inventar
uma nova namorada 

uma cela tranquila foi decorada
a masmorra deveria ser tranquila
fotos de família e imagens sagradas
o passado assumiu o livre arbítrio
a sociedade queria ser respeitada
como é que um sujeito casado
se apaixona e inventa
de ter uma nova namorada?!

a ética fazia sentido
o entusiasmo tinha que ser reprimido
a tesão deveria ser represada
o espetáculo triste seria divertido
a dúvida gozava de certezas claras
até quem não tinha nada a ver
apoiava o linchamento suave
a crise estava bem incrementada
o moralismo secreto dos modernismos
cantava de galo na alvorada
o pêndulo oscilava
a lua minguava
a inocência era culpada
tudo porque eu era casado
me apaixonei e inventei
uma nova namorada

os cabotinos riam em silêncio
os inimigos davam risadas
havia certa beleza no sacrifício
virou show participar do suplício
a indiferença a dor era recomendada
ninguém tinha nada a ver com isso
a falsidade reinava emocionada
tudo porque eu era casado
me apaixonei e inventei
uma nova namorada

mais nada!

UM WHISKY CHAMADO VINICIUS


UM UISQUINHO
COM VINÍCIUS
              by tavinho paes

…mesmo que…
me recomendem nãos
eu vou ceder
aos meus baixos instintos
e sair por aí sem destino
procurando amor e dor sem porém
hoje à noite: não vai ter para ninguém
vou tomar um uisquinho com Vinícius
 é isso mesmo:hoje à noite... 
não sou luar mas vou enfeitar a noite do meu bem
 quem sabe passe pelo bar uma garota de ipanema?
 dizem: é loura; digo: pode ser morena
há quem diga: é neguinha e é gostosa!
pode até ser nissei, caipira, indiazinha...
...ruivinha com sardinhas... 
só foi identificada pelo seu jeitinho de andar

tomara que ela passe por mim a caminho do mar
e, atento, eu não a deixe passar
quem sabe essa garota resolva meu dilema?
faça-me enxergar Maria em Madalena
ensina-me a recuperar carinhos
me dá um milhão de beijinhos
embeba-me a bebedeira com um poema
daqueles que fazem a alma tocar na carne
os ossos estalarem que nem graveto em lareira
o coração quebrar-se em mil pedaços
a cabeça girar pás de moinhos
e a gente se perder do caminho de casa... 
... em versos de beijos e abraços
hoje à noite: estou determinado
vou tomar um uisquinho com Vinícius
e mandar a caretice para o espaço
 mesmo on the rocks, num clube de rock’n’roll
esse uisquinho milagroso vai devolver ao meu vocabulário
um eu te amo que me anda engasgado
doido para virar música e pecado
...ah! claro que vai ter música!
no tom certo e no acorde desejado
num ambiente onde até cigarro
não vai ter seu cheiro notado
pelos novos narizes sensíveis da cidade
quem ficaria preocupado com a fumaça
diante daquele fogo
que acende e deixa em brasa?
quando o corpo que se excita
e pelo poema da retina é devassado
vulneravelmente é flagrado sonhando acordado
com um amor que dura a eternidade de ser amado 
quando a coisa é assim tudo é, praticamente, viável! 
 ééééé.... hoje: eu quero ficar emocionado
enamorar-me enamorado
ter na fantasia euforias e tentações
misturando presente futuro e passado sentir-me contente
 como um tarado que descobriu que sua tara... não é pecado! 
 ...estou afim de esquecer
que tudo nesta vida tem começo meio e fim
vou pular nú em pêlo pelo precipício
mandar os conselhos médicos para o inferno
e esquecer que beber faz mal e é um vício 
que se dane o mundo e seus quiprocós e quesitos
hoje à noite: vou rever todos os meus princípios
sentar-me no boteco como louco de hospício
e num clima de amor fértil e propício
entre poesia, loucura e imaginários fogos de artifício
vou tomar um uisquinho com Vinícius!
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[rascunho] PALANQUE PUNK 01


UM DIA UM
                                     by tavinho paes


…um dia, a poesia
pegou no pé da palavra
e disse um palavrão!
puta-que-pariu-a-mãe-do-filho-da-puta!

a palavra muda ficou biruta
e a biruta viu o vento soprar
e pegou o tempo pelo pé…
  pegou na perna que falta ao saci
  mas que sempre está ali
no vazio preenchido de imaginação
pulando que nem guri
chutando uma bola de gude
no grito de gol da multidão

dependendo das circunstâncias
a palavra com um pé na poesia
muda aquilo que, para o tempo
pode ser a sua substância
perdoando tristeza
ignorando  a ignorância
espiritualmente crente
que é auto-suficiente
e em certa instância
sem medir a distância 
siga a viver sua vida
como se a velhice 
fosse uma infância

um dia, o tempo
pegou no pé da palavra
ela aderiu aos seus milagres
…e verbo se fez hora
e habitou entre nós
no futuro e no passado
chamando de agora
o tempo que lhe resta
pra cair fora

a palavra virou festa
deu um pé no tempo
viveu cada segundo 
de um minuto num só momento
e a poesia enterrou um defunto
despindo-se do luto
soprando as velas
no escuro
sem um lamento
só no sentimento
no futuro 

no dia em que a palavra
perder o pé da poesia
o tempo vai ficar puto
muitos seguirão o tumulto
…e deus…
outrora tão astuto
não há de ficar oculto
vai trazer a batuta
enfiar seu pé na lama
sentir a carne da criatura
soprar mais uma vez sua chama
e desta vez
a criar uma mulher à sua semelhança
tão masculina quanto humana

dizem que vai ser bacana
deus vai virar uma dama
a julgar pelo pé e pela lama
seja o que deus fizer
cabe cinderela e sapatão
pode ser pata de pata
pé de pavão 
ninguém mais
vai querer pegar sua mão
vão pegar no seu pé
o tempo todo que deus tiver

pega no pé de deus, e vai…
o tempo não tem pé
mas pode ter cabeça
e antes que alguém esqueça
o tempo não vai nem vem
pra ninguém

um dia, a poesia
pecou ao pé de deus
…e o verbo pediu pronomes
aos bois, deram-se os nomes
o tempo foi passando
e o que era abelha
virou enxame

em tempo de poesia
a humanidade é o que é
entra e sai pela boca do homem
sai e entra no corpo da mulher
deus fica mais bonito
se a peça ficar bonita
vira palavra bem dita
diz o que pode
pensa o que quiser
em tempo de poesia
deus é mulher

um dia, a palavra
vai sobreviver ao tempo
vai ser livre como o vento
vai ter tempo pra ser só alegria

um dia, como diz a utopia
o impossível pode
a rainha perde a coroa
o rei se fode

um dia, o tempo
terá saudade desse dia
hoje … agora
no exato momento em que
ele … o tempo
pega a palavra pelo pé
e faz poesia
tão jesus quanto maomé
tão esfinge tão gizé
salam bats ‘halan’i
shalom aleuk
hare krshna
hare hare
rare rama!

em tempo de poesia
todo mundo tem a palavra
um dia
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[rascunho] AUTOMÁTICO

ODE À HIPOCRISIA
                                                 by tavinho paes

quando conheci a hipocrisia
o dia nunca mais amanheceu
nem a noite quis anoitecer
nada mais entardeceu
era tarde demais
…aconteceu!

não havia chuva, mas chovia
não era festa, era euforia
a hipocrisia me pareceu bonita
apresentou-se com elegância
vestia-se com a última moda

um modelo sofisticado
um motor retificado
tão escamoteada quanto libertina
fria, frígida, frágil …cabotina!
completamente adaptada
prática e pragmática
como uma rotina
tão pura quanto … cocaína!

não surgiu do nada
de uma hora pra outra
foi cuidadosa, dengosa, caridosa
era competente e meticulosa
escondia uma agonia misteriosa
posando de inocente
sadia e impaciente

a hipocrisia é covarde
mas não faz nada por covardia
era discreta e sabia disfarçar
sua impiedosa idiossioncrasia

só se apresentava quando podia exercitar
sua potência corrosiva

quem fosse atingido por seu designo maldito
cairia na lama sentindo-se na cama
ficaria doente e se sentiria sadio
estaria feliz mesmo estando …fudido!

sem chance de reagir àquele domínio
a hipocrisia vem sempre orgulhosa e debochada
oferecendo apoio para melhorar fachada
boa vontade não lhe falta

dissimulando um humor otimista
antes de se revelar mesquinha e egoísta
a hipocrisia tem uma delicadeza cínica
absolutamente narcisista

não há como reconhecê-la de imediato
cara-a-cara ela te encara
te encalacrando num círculo
de onde na da escapa
onde você se sentirá
…ridículo!

há ocasiões em que oferece misericórdia
a quem precisa ressuscitar
depois que o caixão foi fechado
e a tumba esquecida
do nome que, na lápide,
foi escrito e apagado

conheci a hipocrisia em carne e osso
era uma puta carne de pescoço
falsa, caprichosa, sorridente
dissimulada e bela como um tridente
sacana, bacana, saliente…

posso dizer que ela foi sincera
e muito… muito inteligente
com ela era tudo pra ontem
tudo agora, tudo urgente
chega sempre com surpresa
é sempre de repente
a hipocrisia é uma piranha
que escova os dentes

foi bem doloroso encontrar esse monstro
em alguém a quem sempre quis bem
alguém importante em minha vida

chegou-me como uma gaveta aberta
pronta para guardar meus sonhos
um cofre para as minhas poesias
fazia o que podia para me agradar
não tinha inveja nem ciúme
era tão nova que chegava a ser antiga
sem que eu me desse conta
virou a minha melhor amiga
íntima, óbvia, conmtante, falsa e fina

a hipocrisia tem sangue frio
coagula quando entra no cio
sua maldade é mandona, tirana
tira de letra angústia e tristeza
sua arrogância é discreta
sua alegria aflita te engana
ela te oferece o que renega
ou você pega; ou ela te pega

a hipocrisia ri
oferece riso pra otário
vida para suicida

a hipocrisia foi minha cúmplice
a pior entre as melhores amigas
um fantasma que ainda me assusta
puxa meu pé quando durmo
me sugerindo a morte em vida
como se fosse uma saída

a hipocrisia é uma opção
muitas vezes linda e maravilhosa
outras sensual e gostosa
até que você se de conta
de que é ela que te governa
é ela quem te cria problemas
ela rouba de ti a poesia
cada vez que você
lhe escreve um poema

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ETERNIDADES

eu sou ontem
dizendo hoje
que eu te amo
amanhã!

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[rascunho] AUTOMÁTICO

NEM TUDO É FATAL!
                                                          by tavinho paes
.
fatal é…
o sinistro que toma conta
do teu destino
desdiz tudo que já foi dito
interrompe tua seresta
acaba de vez com a festa
cala tua boca
e te desarma…
.
fatal é…
o sonho que confunde
teus desejos mais simples
te propõe aceitar a ansiedade
te joga nos braços do desespero
estraga teu humor
corta teu telefone
apaga tua luz interior
e te desliga…
.
fatal é…
a hora marcada
da morte que não se adivinha
da dor que não se espera nem passa
da doença sem remédio nem vacina
do duelo que te acovarda
e deixa na tua pele
uma marca…
.
fatal é…
a carta de namorada
escrita com lágrimas
que nunca foi lida
nunca foi entregue
nem respondida…
.
fatal é…
saber que quem você quer
não vai te dar nenhum beijinho
não vai te fazer nenhum carinho
nem te dizer nem sim nem não
… nem nada!
=============================

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.
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[rascunho] PAIXÃO INVENTADA

DESPEDIDA DE CASADO
                                                                                by tavinho paes
.
apesar do orgulho e da auto–estima
sei que devo deixar a dúvida duvidar
enquanto morro em vida
sem saber que parte se vai perdida
no instante da …soberba despedida!
.
foi-se tudo que eu tinha junto com tudo que, pedindo…
perdia e pedia pedia pedia e repetia repetia e repetia…
com a voz suando palavras cada vez mais vazias
num corpo exposto à morte, por trás da sorte que se esvaia
no momento da queda, ávido de sonho e agonias
triste de sombra e fantasia, eu estava tão somente desejando
…um beijo de despedida!
uma mão acenando, um gesto de nobreza,
…uma última simpatia!
.
…e agora, hem?
.
agora, nem lágrima se chora; nem há volta nem ida,
nem revolta nem despedida
só o golpe traiçoeiro da sombra risonha que acompanha
o enterro de mais um  amor destruído
que a memória da saudade guardará
…esquecido!
.
num tempo futuro poderá ser sentida
a torpeza que me dissolve,
tão melancólica quanto uma desilusão maldita
olho o desejo que me comove
vejo o horizonte que não alcanço
e, calmo como um eclipse, vejo a última alvorada
durante este outono que há de ser
a aurora da minha vida…
.
não me acuse do que não foi possível esclarecer
nem de levar comigo o que não pude esquecer
sem me enlouquecer…
.
eu nunca quis controlar teus sonhos
nem ser mais do que um amigo
enquanto procurava, em vão,
através dos meus sentidos,
buscar uma sobrevida para o fim
sempre soube que estava cada vez mais perto
desta soberba partida…
.
… não fiz nada
para me abençoar diante da morte
antes, fiz o que fiz para desejar sorte
a quem, sem nenhuma inocência, desertou-me de minha vida
como quem despede uma empregada
ou joga fora um algodão com qual limpou uma ferida…
.
… fui meio que levado a dobrar os joelhos
cerrar os olhos de cabeça baixa
e pedir um iceberg de orgulho e teimosia
que desligasse o freezer em que fui guardado,
antes que uma cova rasa fosse aberta para esconder
o cadáver que me tornei diante da violência
de uma desilusão anunciada e merecida…
.
… pedi uma força para forçar a porta e achar uma saída
para o que não tinha saída nem luz, nem túnel…
a não ser o desmoronamento das expectativas
o soterrameno da amizade…
e eu só queria ter tido a honrosa chance
de uma …soberba despendida!
.
… como não pude dizer adeus,
minha alma vai continuar vagando perdida
numa dúvida infame  que não recua nem se intimida…
.
como nunca mais vou dizer olá,
que seja feita a justiça que me foi destinada
como alternativa
que para sempre se saiba que, apesar das ressalvas,
mesmo que me confirmando um incorrigível suicida
quem a morte me deu por companhia
continuará sendo a pior entre as minhas melhores
…amigas!
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CULPA QUE SE DESCULPA

CULPA QUE SE DESCULPA

não fui eu
quem te entusiasmou a realizar
teus sonhos de artista
não foi você
quem me tirou a confiança
nos planos e projetos
que eram a minha vida
.
não fui eu
quem te feriu os sentimentos
fez teu coração reagir às paixões
e sentir o que sempre quis
não foi você
quem magoou meus sentidos
metralhou uma por uma das emoções
e me fez muito mais triste
do que infeliz
.
não fui eu
quem me afastei do seu destino
te fazendo desejar a liberdade
de escolher o seu caminho
não foi você
qu me isolou num labirinto
desprezando tudo que eu sentia
enquanto me perdia
e perdia a minha vida
.

fui eu que me apaixonei
foi você que me excluiu
.
eu não sei quem é você
que me conheceu e me confundiu
você não sabe quem sou eu
nem que, me desconhecendo
me dividiu
.
se fui eu quem insistiu
insisti no que nunca existiu
você não fez nada
pode se sentir aliviada
a culpa é toda minha
e já está desculpada

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INFO BÁSICA

Nesta blog, estão sendo testados poemas em rascunho que poderão ou deverão ser futuramente remixados para publicação em livros, coletâneas, tablet–books, etc...